Após morte, CRM diz que Hospital Areolino não tem condições de receber pacientes
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26/02/2026 15:58:09
O presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina), João Moura Fé, afirmou nesta quinta-feira (26) que o hospital psiquiátrico Areolino de Abreu, localizado na zona Norte de Teresina, não tem condições de receber pacientes, seja do sistema prisional ou de internação provisória ou compulsória. Atualmente, o hospital está com 150 pacientes, sendo 30 oriundos do sistema prisional.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) informou que respeita a atuação do CRM-PI, e que aguarda o envio do relatório oficial por parte do Conselho, a fim de tomar conhecimento das medidas elencadas. (Confira a nota completa ao final da matéria).
Na madrugada de hoje, um paciente foi morto asfixiado e queimado em um banheiro da Ala Mariano Castelo Branco dentro do hospital. Uma equipe do CRM foi até o local e realizou uma vistoria.
“A inspeção do CRM constatou que o hospital não tem condições de receber pacientes e está com obras paradas há anos”, disse o presidente do CRM.
A vistoria foi acompanhada pelo presidente do CRM, o vice-presidente, Raimundo Sá e o médico fiscal, Juarez Holanda. Os dois pacientes suspeitos pelo crime não são oriundos do sistema prisional.
“Nós constatamos que o hospital está com obras de reforma paradas e com execução de apenas 25%. A unidade se encontra em péssimas condições estruturais, sem segurança armada, contando apenas com segurança patrimonial e agentes auxiliares, que atendem aos pacientes. Vamos notificar a Secretaria de Saúde do Estado e solicitar providências, para que haja mais segurança para os médicos, demais profissionais de saúde e para os pacientes”, disse o presidente.
O CRM-PI observou também que não há enfermeiro no hospital durante o turno da noite e poucos médicos para a assistência e prescrição dos pacientes internados.
O presidente lembrou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou a extinção dos manicômios psiquiátricos do país e da política antimanicomial do Governo Federal.
“Com isso, as pessoas internadas e que cumprem medidas de segurança para os hospitais psiquiátricos não contam com estrutura física e de pessoal treinado (policiais) para o tratamento de pessoas com distúrbio psiquiátrico em medida de segurança determinada pela Justiça. A responsabilidade do Ministério da Justiça foi transferida para o Ministério da Saúde. Essa medida preocupa os profissionais da saúde e instituições, como o Conselho Federal de Medicina e os CRMs”, disse Moura Fé.
Fonte : Cidade Verde