QUASE METADE DAS VITIMAS DE VIOLÔNCIA SEXUAL NO PIAUI SÃO CRIANÇAS E ADOLESCENTE, APONTA RELATORIO.
Levantamento da Rede de Observatórios da Segurança mostra que meninas de até 17 anos representam 43,4% dos casos no estado; indicadores gerais de violência de gênero subiram 17,6% em um ano.
06/06/2026 12:41:42
Quase metade das vítimas de violência sexual registradas no Piauí em 2025 eram crianças e adolescentes. O dado consta no relatório “Elas Vivem: a urgência da vida”, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança. Segundo o levantamento, das 53 ocorrências de violência sexual e estupro monitoradas no estado, 43,4% tiveram como vítimas meninas de até 17 anos, o que corresponde a aproximadamente 23 casos.
Os indicadores integram um panorama mais amplo de violência contra a mulher em território piauiense. Ao longo de 2025, a organização contabilizou 379 eventos de violência de gênero no Piauí, índice que engloba agressões físicas, homicídios, feminicídios, estupros, cárcere privado e agressões verbais.
O estado registrou 91 casos de tentativa de feminicídio ou de agressão física, 53 de violência sexual, 28 feminicídios consumados e 37 homicídios de mulheres. De acordo com o documento, o volume total de notificações de violência contra mulheres avançou 17,6% em comparação com o consolidado de 2024. Já as mortes por homicídio e feminicídio apresentaram uma elevação de 4,8% no mesmo período comparativo.
Conforme a análise das pesquisadoras responsáveis pelo monitoramento no Piauí, os resultados demonstram que o estado permanece inserido na crise estrutural da violência de gênero observada em âmbito nacional.
No Piauí, as estatísticas indicam que 32,3% das vítimas sofreram violências praticadas por cônjuges, namorados, atuais ou ex-companheiros. Quando isolados apenas os casos de feminicídio, o percentual atinge patamares mais elevados: 76,7% das mulheres assassinadas foram mortas por parceiros ou ex-parceiros afetivos.
Concentração urbana e subnotificação de dados raciais
A capital piauiense concentrou quase um terço das ocorrências do estado. Conforme o relatório, Teresina respondeu por 29,3% das vítimas contabilizadas no Piauí em 2025 e por 32,1% dos casos registrados especificamente como feminicídio.
O documento emite, adicionalmente, um alerta voltado à ausência de dados relacionados à raça e à cor das vítimas. Entre os feminicídios anotados no Piauí, 92,9% não apresentavam identificação racial nos registros. Segundo a Rede de Observatórios, essa lacuna inviabiliza a compreensão integral dos impactos da criminalidade sobre diferentes grupos sociais e restringe a formulação de políticas públicas direcionadas à prevenção.